sexta-feira, 18 de julho de 2014

Domingo de chuva suburbano

Me dá uma vontade súbita de escrever sobre estes tema comezinhos do cotidiano, não que alguém se interesse por eles, mas sinto a necessidade de falar deles para o nada, para essas paredes virtuais, garrafinhas de vidro digitais lançadas nesse oceano de inutilidades binárias.
Dá vontade de gritar as vezes. Sou mudo em casa, ninguém me dirige a palavra, nem um bom dia ou um oi, não existe diálogos sólidos ou mesmo comentários aleatórios sobre o clima. Olho para os lados, encaro o relógio se arrastando. É domingo, chove, não dá pra sair a rua. Fico prisioneiro desse cotidiano suburbano moderno. Uns com a cara enfiada no computador vendo coisas aleatórias, outro com a cara enfiada na tv vendo algum filme da década de 80/90 em um canal de tv a cabo que só passa blockbusters. Chove.
Cheiro de cachorro molhado e umidade, mofo.
Quero conversar, tento engatar uma conversa, não flui. Angústia que grita. Sinto um aperto no peito. Será que assim sente-se quem perde a voz? Tosses, tica tac do relógio, tudo fica irritante. Esfriou, cato algum moletom velho de ficar em casa. Olho de relance o filme,um lixo mesmo, impossivel de ficar olhando. Mas na verdade ninguém está olhando. A TV fica ali falando sozinha também. Preenchendo espaços.

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