domingo, 3 de agosto de 2014

Por que eu fotografo?

Frequentemente, venho questionando a mim mesmo (uso o "mim" quando eu quiser, e vá corrigir a puta que te pariu), o que me move e motiva a fotografar.
Não estou fotografando para ganhar dinheiro, não é para simplesmente ostentar o título de "fotógrafo", do qual aliás, todo ser humano deveria ser merecedor.
Não é para ser conhecido, venerado, adulado ou premiado.
(É muito não em um texto só.)
Não é por que sou ordenado a fazê-lo e nem para garantir um emprego.
É como se precisasse fotografar, vai muito além do gostar ou achar legal. Ou ainda pretender obter lucros com isso.
Revirei  os miolos por dias (está fedendo ainda) e não cheguei a uma resposta conclusiva.
Acho que é isso, por não ter uma resposta que continuo, uma busca às cegas por uma resposta que não está lá.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Domingo de chuva suburbano

Me dá uma vontade súbita de escrever sobre estes tema comezinhos do cotidiano, não que alguém se interesse por eles, mas sinto a necessidade de falar deles para o nada, para essas paredes virtuais, garrafinhas de vidro digitais lançadas nesse oceano de inutilidades binárias.
Dá vontade de gritar as vezes. Sou mudo em casa, ninguém me dirige a palavra, nem um bom dia ou um oi, não existe diálogos sólidos ou mesmo comentários aleatórios sobre o clima. Olho para os lados, encaro o relógio se arrastando. É domingo, chove, não dá pra sair a rua. Fico prisioneiro desse cotidiano suburbano moderno. Uns com a cara enfiada no computador vendo coisas aleatórias, outro com a cara enfiada na tv vendo algum filme da década de 80/90 em um canal de tv a cabo que só passa blockbusters. Chove.
Cheiro de cachorro molhado e umidade, mofo.
Quero conversar, tento engatar uma conversa, não flui. Angústia que grita. Sinto um aperto no peito. Será que assim sente-se quem perde a voz? Tosses, tica tac do relógio, tudo fica irritante. Esfriou, cato algum moletom velho de ficar em casa. Olho de relance o filme,um lixo mesmo, impossivel de ficar olhando. Mas na verdade ninguém está olhando. A TV fica ali falando sozinha também. Preenchendo espaços.

domingo, 13 de julho de 2014

Forrest Gump ao avesso

Sempre penso nessa coisa de escrever a própria história. mas afinal de contas, qual é a hsitória correta a ser contada?
Não sei por que, mas com certa frequência as pessoas vem a mim contar suas histórias, seus problemas. Por que o fazem? Não faço a minima ideia.
Quase sempre pedem desculpa por estarem tomando meu tempo, mas a verdade é que me sinto na obrigação de ouvi-las.
Ouvir as pessoas não me tira nada, e ao mesmo tempo me preenche de histórias Bebo-as, me alimento de suas palavras que vão despejando numa necessidade de expôr alguma coisa que tem guardada dentro de si, viram sua alma do avesso em seus momentos mais sinceros. Vejo a sinceridade ali suspensa por um sopro no ar como uma pena. Acho que faltam pessoas no mundo dispostas a ouvir e serem ouvidas.
Sinto cada palavra dita, na transcrição de uma história, passo a fazer parte dela,  me sinto um pouco importante.
Gosto mesmo de ouvir as pessoas , me faz bem saber que elas se sentem bem em poder dividir esse pedacinho de vida. A bem da verdade nem sei se possuo realmente uma história própria, ou se são montões de pedacinhos que vou colando das histórias dos outros.
Já me disseram mais de uma vez que tenho dificuldade de falar de mim, acho que deve ter relação direta com essa vocação natural para ser um ouvinte colecionador de acontecidos.
Não tenho uma história, tenho muitas, todas elas lindas de uma forma ou outra.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Café palavras e nicotina

O cigarro vai se desfazendo em cinza e fumaça, o cinzeiro já cheio..tenho preguiça de levantar para esvaziar. Não sei se é preguiça ou desânimo, ou uma fusão das duas coisas, de qualquer modo, deixo-o ali a transbordar tocos de cigarro. Nicotina faz companhia. As palavras vão me escorregando pelos dedos, não chego a segurá-las, caem no chão e se espalham.
Penso em criar algo novo, nada me vêm a mente, cometo plágios involuntários. Não chegam a ser cópias. Palavras pertencem não á quem as cria, mas à quem delas faz uso.
Tomo mais um café. A noite faz bem.