sexta-feira, 17 de maio de 2013

Aqui fui assaltado (e serei de novo)

Leio o jornal de sexta feira, e eis que me chama a atenção uma matéria acerca de uma página chamada “BO

Coletivo”. Caso você esteja recém chegando de Nárnia, vou explicar:

A página em questão disponibiliza cartazes para download com os dizeres “aqui fui assaltado”, para serem colados em postes próximos aos locais onde houveram casos de furto, assaltos..
E a coisa pegou, várias pessoas, das mais variadas cidades do Brasil aderiram à ideia e estão demarcando em seus municípios os locais onde ocorreram esses tipos de crime, alertando a comunidade e os órgãos públicos sobre os locais com maior incidência de crimes.

Legal... em partes. Considero toda iniciativa coletiva por si só algo fantástico, longe do individualismo, muitas cabeças pensantes ao mesmo tempo coletivizando uma criação é algo admirável.
Porém, duas palavras me vieram a mente quando vi a ação; remediatismo, imediatismo.  Duas características bem predominantes na nossa sociedade.

Esse tipo de ação, por mais bem intencionada que seja, acaba por gerar uma imagem de violência bastante errada. Incentiva o policiamento ostensivo, a vigilância, o medo constante de assaltos. Vivemos numa sociedade onde o medo é a palavra de ordem vigente, onde a segurança é pública, mas confiamos tanto nela que multiplicam-se as empresas de segurança privada. A indústria do medo.

Preferimos ignorar a origem da violência, dos crimes. Tratamos os sintomas, nunca a doença social. Desigualdade é mero efeito colateral  de um sistema que precisa da miséria para se manter.
Aprendemos a aplaudir massacres de favelados televisionados e ovacionar assassinos como heróis, mesmo sabendo que é tudo forjado (não sabia? Clique aqui).
Não precisamos de mais policiamento, precisamos é de menos desigualdade.