quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Superbowl, Valentines Day e nosso complexo de vira-lata

Foto de cupcake- todo cult tem uma

Nesse momento escrevo de Santa Cruz do Sul, Brasil, América do Sul. No entanto, ao olhar as redes sociais,  vejo que pululam frente aos meus olhos; seja na forma escrita, sejam na forma de imagens ou vídeos; menções ao Valentine’s Day e ao Superbowl (Liga de Futebol Americano).

Logo se imagina que a pessoa que publica esse tipo de coisa encontra-se em solo estadunidense, mas não, quem publica é seu vizinho, seu colega, até a conhecida polenteira lá do interior,  todos com os pés em Terra Brasilis.

O que me faz lembrar 1997. Há 16 anos o Brasil passava por um período de produção cultural fascinante. Planet Hemp lançava o disco “Os cães ladram, mas a caravana não para”, o grupo Charlie Brown Jr lançava o álbum “Transpiração continua e prolongada”,  Racionais Mc’s lançava o “Sobrevivendo no inferno”, Skank estourava com o “Samba Poconé”.

Uma época onde a cultura nacional absorvia as influências externas, e traduzia para o território tupiniquim com cara própria.
Mas afinal, o que isso tem a ver com o Superbowl ou Valentines Day?
Essa cultura nacional começou a se tornar cada vez mais com cara de Brasil, cada vez menos de Made in USA, e é claro, o senso de vira–lata de alguns se pôs em alerta. O Cult que tinha dinheiro para comprar bons discos começou a enxergar que o que ele achava bom, passou a ser popular. O que é um tanto perigoso para quem quer ser diferente.

Refugiou-se nas redes sociais, recém surgidas só os convidados teriam acesso, sem povão. O que não durou muito tempo é claro, obrigando-o a migrar para outras redes, sem suporte em língua tupiniquim. Redes aos poucos que obedeceram a lógica da inclusão digital, atraindo aqueles que estavam ( e ainda estão) descobrindo esse universo digital.

Opa! O novo cult digital já não tinha mais para onde fugir, precisava se destacar dentro dessa rede, da massa, dos que ele amaldiçoa por serem parte dessa inclusão digital.
Ao menos agora ele teria público.

Então num processo inverso ao de 16 anos atrás, lá foi ele em busca do que hemisfério norte produz e vende. Afinal, se é daqui não presta.
Seja o Superbowl ou a comemoração do Valentine’s Day, ele vai cultuar e comemorar como se fosse um estrangeiro. Por quê? Por ser diferente, simples assim.
Veja bem, não estou falando de troca cultural, não seja imbecil a  este ponto, até por que a cultura é algo vivo e em constante mudanças, que bebe de todas as fontes.
Falo do quão forçada é essa cultura importada.
Se vir algum amigo publicando coisas do gênero, pode ter certeza, o animal sofre de forte complexo de vira-lata. E infelizmente, não tem tratamento.