quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Grito Mudo

As vezes fico catando palavras. Mas não sei por que. Talvez para pedir ajuda, talvez seja  um grito sem voz. Grito inútil, afinal, não tem ninguém para escutar mesmo, e se escutar, não vão entender. É mais ou menos como falar para as paredes, pois olho para os lados, e as pessoas que aqui estavam desapareceram. Sumiram.
Não, não sumiram. Talvez nunca tenham estado aqui. Eu que imaginava que estavam.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O diagnóstico e a terapêutica

O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um
reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos,
despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos
febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. O
amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó de me ame, como por
descuido, no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não pode
impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o dente de
alho, que nesse caso não serve para nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino e
ao esconjuro das bruxas. Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção
capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis
beberagens com garantia e tudo. (Eduardo Galeano)

A noite/1



Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas
pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher
atravessada em minha garganta. (Eduardo Galeano)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

1984 ou 2011?



A última sexta feira 14 de outubro de 2011 nos põe a duvidar acerca da validade do calendário e até mesmo da própria realidade da comunicação neste dito Estado Democrático.
Em mais um de seus ataques á radiodifusão comunitária, o Governo Dilma nos mostra sua verdadeira face traiçoeira, que se elegeu com a confiança dos trabalhadores, mas que faz questão de lhes tirar a voz. Em um ato que nos faz lembrar a Novilingua do livro 1984.
Permitir que o povo se comunique cada vez menos, para que os governos possam comandar cada vez mais.
A normativa publicada afirma acerca de apoio cultural

3.1.Apoio cultural - É a forma de patrocínio limitada à divulgação de mensagens institucionais para pagamento dos custos relativos à transmissão da programação ou de um programa específico,
em que não podem ser propagados bens, produtos, preços, condições
de pagamento, ofertas, vantagens e serviços que, por si só, promovam
a pessoa jurídica patrocinadora

O óbvio ululante; toda rádio comunitária tem gastos de manutenção, o que então era suprido com os apoiadores culturais.
Porém com esta nova normativa, com o que irão se manter as rádios? Um golpe traiçoeiro do governo, não fecha as rádios diretamente, mas as faz minguar de fome.
Um governo que curiosamente (a bem da verdade não tão curiosamente) não veicula propaganda institucional em rádios comunitárias. Todo tipo de campanha governamental é veiculado única e exclusivamente nos grandes meios de comunicação. São milhões de reais que são destinados a meia dúzia (não sei se chega a tanto) de grupos de comunicação.
Dinheiro que serve para alimentar um modo de comunicação que não comunica, mas aliena.
Debates, artigos de opinião, exaustivas reportagens sobre o antes, o durante e o depois do fato bombardeiam nossas mentes com palavras, ideias e imagens que já ouvimos centenas de vezes e que pouco ajudam a compreender os fatos. A missão da comunicação é engolida pelo sensacionalismo. Isso ajuda a manter o povo distraído, calmo, calado.

Atitudes de um governo que cospe no povo que o elegeu. Situação tragicômica onde o povo não pode se comunicar e filhos de governantes assistem TV a cabo....

domingo, 18 de setembro de 2011

Sem ponto final

Frases.
Ouvi, não me recordo de quem, que a vida é um livro composto de inúmeras frases. Curiosamente me dou conta da quantidade de frases soltas da minha vida. Frases sem ponto final, que talvez nunca o tenham, ou que simplesmente aguardam um fim. Acabar um frase não requer pressa, talvez apenas o momento certo.
Entre cafés, insonias, memórias, livros e cigarros escrevo meus rascunhos de frases...

domingo, 28 de agosto de 2011

Presença

Esses dias, para variar não me recordo exatamente quando, estávamos pós aula ouvindo um som, meu colega tentando arranhar um ''chão de giz'' do Zé Ramalho no violão.
Comentei sobre ser este um dos raros shows bons que estiveram por aqui nos últimos tempos...e eis que meu colega que é de outra cidade comenta ''mas eu também estava no show''.
Isso seguido me acontece. Ficar sabendo que determinada pessoa estava no mesmo local que eu, sendo que não a vi. Ai fico com aquela sensação...será que a vi? Bom...posso não ter visto..mas ao ter essa informação..de uma forma ou de outra, essa pessoa passa a preencher um espaço na memória daquele evento.
Assim como ocorreu semana passada....falei com uma pessoa ao telefone, estava próximo dela, não cheguei a vê-la.
Mas foi estranho..era como se ela estivesse por todos os lados...mesmo estando ausente.

domingo, 21 de agosto de 2011

A casa das palavras


Na casa das palavras, sonhou HelenaVillagra, chegavam os poetas.As
palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se
ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as
olhassem,as cheirassem,as tocassem, as provassem.Os poetas abriam os frascos,
provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara.Os
poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam
palavras que conheciam  e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas
as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando:
amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre,
vermelho-sangue,vermelho-vinho...
(Eduardo Galeano)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Palavras Desconexas



''A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida''




Andava procurando algo nos últimos anos. Assim como todos o fazem. Uns procuram um bom trabalho, outros procuram um grande amor, outros apenas vivem sem procurar (serão felizes?).

Eu não sabia afinal o que procurava. Mentira..sabia sim, mas preferia achar que não. Muito tempo passado.muita vida vivida nesse meio tempo.

E eis que reencontro (adventos comunicacionais da tecnologia) o que procurava. Seis anos mais ou menos....não pode.foi ontem...ou parece ter sido ao menos.

Muito recente....muito presente....ainda me deixa triste...e ao mesmo tempo infinitamente feliz.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Se refazendo com o passar dos dias

"Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente. Eu sou. E se não for, me farei."

(Caio F. Abreu)

ps: roubei daqui

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Culpa


''De todo esto y mil cosas más me declaro culpable; por todo esto, por ellos brindo esta noche..''
Eduardo Galeano


Tive o prazer e a sorte de participar há poucos dias, do Congresso Nacional da UNE, o tipo de evento que eu particularmente adoro, e que me põe a refletir por longas horas a fio.
Fico encantado ao me dar conta nesse tipo de evento, que não estou sozinho no que acredito, não sou o único maluco que acredita que o mundo está errado, ao avesso.
Que sabe que nenhuma ação é insignificante, que está ali para fazer um mundo um pouco menos ruim para pessoas que jamais conhecerá. E não esperam nada em troca, não esperam reconhecimento, cargos ou dinheiro. Não esperam seu ''muito obrigado'' ou uma medalha das mãos de algum militar sujo.
Apenas gostariam que você também fizesse algo, assumisse sua culpa pelo que é o mundo hoje. E fizesse algo para mudá-lo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Melancolia Chuvosa



‘É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe

É assim como a luz no coração’

Ô musiquinha desenterrada.....

Enfim, bem trilha sonora para uma madrugada de domingo para segunda..chovendo para ajudar. Estranho...gosto de chuva, de banho de chuva com meu filho e de ficar olhando a chuva pela vidraça....mas além dessa umidade chata a chuva traz também uma certa melancolia junto.

Não vá me xingar afirmando que só venho aqui choramingar. Não o faça, pois não estou falando de estar triste como noutras ocasiões. Falo de melancolia.

Tristeza é ruim...Melancolia é tristeza com alguma coisa boa, mesmo que não se saiba o quê...

Vem, chega sem ser convidada e vai se instalando assim sem mais nem menos. Vai chegando e vai ficando pelos cantos.

Acompanha a chuva acho. Embora possa vir acompanhando o inverno também.

Uma tediosa melancolia boa de sentir.....

terça-feira, 10 de maio de 2011

Carta de Valerie


Parece estranho terminar a vida em um lugar tão horrível... Mas durante três anos eu tive rosas e não pedi desculpas a ninguém. Eu morrerei aqui. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho... Menos um. O da integridade. É pequeno e frágil... E é a única coisa que vale a pena ter. Nós jamais devemos perdê-lo. Nem deixar que o tomem de nós. Espero que, quem quer que você seja, escape daqui. Espero que o mundo mude e a vida fique melhor. Mas o que mais quero é que entenda a minha mensagem...Quando falo que mesmo sem conhecer você... E mesmo que talvez jamais conheça você... Ria com você, chore com você... Ou beije você... Eu amo você. De todo o coração... Eu amo você. (valerie)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Olhar

O olhar...dizem que é a janela da alma..e não discordo.
Diria até mesmo que é um modo de se comunicar. Uma linguagem quase secreta, que nem todos conseguem ler..e alguns conseguem ler e não compreendem.
Gosto dos encontros inesperados de olhares, quando se encontram como se tivesse sido combinado, se vem acompanhado de um sorriso é como ganhar o dia, mesmo que tu não conheça a pessoa dona do olhar. Ou se encontra alguém de quem tu gosta, as palavras perdem sentido..só aquele olhar já te basta.
Me lembra aqueles momentos em que toca Legião Urbana no rádio, parece que é só para você.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Autorretrato















Me chamo Christofer Dalla Lana Salgado de Oliveira, tenho 27 anos.....vividos..bem e mal, mas vividos.

Sou de Novo Hamburgo, moro em Santa Cruz do Sul. Já morei em muitos cantos nesse tempo..já morei em casa de madeira, de material, em apartamento, de favor, em barraco e cortiço, morei no centro e na periferia também.

Já fui pintor, garçom, fotografo, vagabundo, militar, editor, serigrafista, marceneiro, carregador, caroneiro e militante.

Fiz muita festa, conheci muita gente...alguns amores, outos tantos desgostos. Perdi muita gente por ai..achei outras tantas, gente que não vou esquecer jamais, mesmo que nunca mais as tenha visto.

Já fui muitos christofer, sempre o mesmo mas nunca igual, já fui muitos e ainda não quem sou. Olho pra trás e vejo que mudei, olho pra frente e noto que preciso mudar... só o que sei..afora isso nada sei

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pedaços

Por estes dias, a data não vem ao caso, fui agraciado por uma amiga com um relato de sua vida até então. Várias histórias que aos poucos vão desenhando um história maior, como um grande rio e seus afluentes.
Nem todas são alegres...muitas tristes..dessas que vão aos poucos despedaçando a alma, dia após dia.
E eis que chega um momento em que soa aquele alarme que diz para você sair fora desse roteiro.
E parar, junto da melhor e da pior pessoa do mundo (você mesmo) para juntar esses pedacinhos que te compõe, se olhar no espelho e descobrir que você é de verdade.
Quase uma autopoiese....