domingo, 3 de outubro de 2010

Tempo de Medo


Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.

Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.

Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.

Os motoristas têm medo de caminhar e os pedestres tem medo de serem atropelados.

A democracia tem medo de lembrar e a linguagem tem medo de dizer.

Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas tem medo da falta de guerras.

É o tempo do medo

Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.

Medo dos ladrões, medo da policia.

Medo da porta sem fechaduras, do tempo sem relógios, das crianças sem televisão, medo da noite sem comprimidos para dormir, e medo do dia sem comprimidos para despertar.

Medo da multidão, medo da solidão, medo do que fui e do que posso ser, medo de morrer, medo de viver


(palavras descaradamente roubadas de Eduardo Galeano, mestre em retratar essa hedionda coisa que chamamos de mundo)


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