domingo, 30 de maio de 2010

Noites de sábado



Sábado, á noite, e sozinho. E como se não bastasse, para completar o quadro que mais parece um circulo infernal Dantesco...chuva e frio.

Não tenho a mínima intenção de sair, fazer festa ou ver alguém. A bem da verdade até que gostaria de ver alguém, mas pelo que notei há pouco, esse alguém não tem muito interesse em me ver.

Bom, vou me dirigindo á minha casa, fazer nada, a saída que me sobra. Não moro longe, mas uma torrente de água resolve despencar exatamente nesse trajeto que faço.... Me refugio na primeira marquise que acho no meio do caminho. A chuva resolve ficar ainda mais forte, daquelas que te deixa encharcado até a cintura, no mínimo.

Não tenho pressa, não tenho hora marcada com ninguém, e tampouco ninguém a minha espera. Fico ali olhando a chuva cair e os carros passarem apressados.

Na falta do que fazer puxo um cigarro(ainda morro disso), amassado de tal modo que tenho a impressão de que sentei em cima da carteira, e fico ali fumando enquanto os carros passam , as pessoas passam...e eu ali parado.

Provavelmente não me notam, tanto pela pouca luz no local onde me encontro quanto pela pressa que têm de chegar a algum lugar.

Li certa vez (não recordo onde) que nós só existimos enquanto alguém se lembrar de nós.

Ali debaixo da marquise, como um mendigo qualquer fundido ao concreto e isolado do tempo que rege como um maestro chapado nosso dia-a-dia, eu senti que havia deixado de existir.

Nós só existimos enquanto alguém se lembrar de nós. Era inevitável ficar repetindo a mim mesmo a frase, e ficar rindo dela tal como um louco.

Só não sabia se ria da graça ou da tristeza da coisa toda.

Um comentário:

'Shara. disse...

"Nós só existimos enquanto alguém se lembrar de nós."

é verdade! =\