segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

RELATOS



Enquanto errante cruzava as flamas do Inferno, deliciando-me com as volúpias do Gênio, que aos anjos transfigurava-se como Tormento e Loucura, recolhi alguns dos seus provérbios, considerando que, assim como as máximas de um povo exprimem o seu verdadeiro caráter, então os Provérbios do Inferno indicariam decerto a sabedoria dos Vértices Abissais melhor do que qualquer outra descrição de Edifícios e Vestimentas.


Ao voltar á tona, sobre o abismo dos cinco sentidos onde um precipício de escorregadias escarpas franze suas sobrancelhas a este mundo atual vislumbrei um poderoso demônio em negras nuvens envolto pairando sobre os flancos dos penhascos, e com fogos corrosivos gravava a seguinte frase agora captada pelas mentes dos homens e por eles á Terra revelada

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

UNIVERSOS PARALELOS



O mundo é um só, e sendo somente um , apresenta-se a nós sob sua única face...uma?
Não raramente me ponho a pensar em como as pessoas vêem o mundo que as cerca.
Que retrato têm desse seu habitat?
A minha visão reparte-se em duas...Diametralmente inversas.
Uma, do universo das letras, da música e dos sentimentos. Um mundo onde ainda há boa música, bons livros e pessoas que não são superficiais umas em relação ás outras.
Onde através de idéias, vontades e palavras pode-se geminar uma revolução nesse nosso modo de vida.
Mas também há o outro...cinza e frio, onde não existe o próximo, onde somos indiferentes á fome e á miséria de nossos semelhantes.
Onde desfilamos perus de natal ou chocolates de páscoa em sacolas abarrotadas em frente á crianças descendentes de indigenas que não tem nada para comer (e que um dia viveram em paz nestas terras).
Onde o dinheiro dita o quão feliz você pode ser. Se não tiver um belo carro e status social, você nada significa. A sarjeta é o único lugar onde terá seu espaço.
Dois universos que andam lado a lado, em conflito e paz ao mesmo tempo.
Não os compreendo....mas tento mudá-los á minha maneira...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

E o carnaval....


Puta merda!!!

Me desculpe pelo palavreado..mas não consegui pensar em nada cortês para expressar a minha indignação com essa festa ‘’popular’’ que é o carnaval.

Todo ano repete-se a velha fórmula, matéria nos jornais dizendo quais são as musas de cada escola....o trabalho nos barracões....sub-celebridades que nada têm de célebres nos camarotes de alguma marca de bebida declarando que ‘’é uma grande alegria estar representando...’’. Um festival de cirurgias plásticas grotescas apresentadas da forma mais vulgar possivel...

Esse é o carnaval, festa nacional da qual tanto nos orgulhamos.

As capas do jornais não cedem espaço á outra matéria senão o carnaval...os programas televisivos também não. A desculpa é a mesma, e de tão gasta já causa repulsa.

“ O povo que ralou durante o ano todo, vem para a avenida explodir em alegria!!’’

Carnaval de salão nem se fala....uma multidão nonsense requebrando ao som do funk da moda e dizendo que aquilo é o carnaval.....já sei porque pierrôs tem uma expressão triste...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais Memória

Hoje estava olhando uma foto, a foto ai ao lado no caso.

Ela foi tirada em dezembro de 2003, ou teria sido novembro? Bom , lá se vão sete anos, não é muito, mas se listarmos tudo que fizemos e que nos ocorreu desde então com certeza parecerá.

Não, não vai ter como listar tudo, muita coisa só a memória guarda, o papel não aceitará jamais. Palavras escritas são só retalhos de lembrançase nada mais, a memória compõe-se de uma matéria muito mais volátil, inalcançável pelos dominíos da linguagem escrita.

Pessoas que conheci, lugares que visitei, outros tantos nos quais morei. Eterno espirito itinerante, seja por vontade ou necessidade.

Do material pouco ou nada levei, como já disse Galeano, o material não me prende, ele não decide nada sobre mim.

O que mais me agrada lembrar não são os lugares, e sim as pessoas. Elas que enriquecem a memória, alegram a vida, nos dão vontade de continuar vivendo.

Umas quantas me marcaram, dessas tantas a maioria nunca mais vi, mas me lembro como se tivesse conversado com elas ontem. Outras convivi , mas andam desaparecidas, como se tivessem sido consumidas pelo nada.

Hão ainda as que conheci quase sem querer, redemoinhos de coincidências...

Curioso é que não sei concluir este texto... cada dia dessa vida itinerante soma algo a mais nessa história. Cada palavra que ouço, paisagem que vejo, pessoa que conheço...tudo isso são palavras que um dia não saberei como escrever.


".Ver o mundo num grão de areia. E um Céu numa Flor silvestre, Ter o Infinito na palma da sua mão E a Eternidade numa hora. ..."Rubem Alves