quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PENA CULPA E COMPAIXÃO


Nesta primeira semana do ano de 2010, a região onde moro foi atingida por chuvas de níveis absurdamente fora do normal.

Resultado: Alagamentos, cidades isoladas pelas águas, queda de barreiras nas estradas, pontes destruídas pela força da correnteza e golpes de árvores que foram arrancadas pelas raízes. Mostra cabal que uma pontezinha de concreto parece feita de papel ante esse aríete das águas.

Dezenas de mortos, centenas de desabrigados, patrimônio de vidas inteiras consumidos pela enxurrada.

Ontem á noite, o que mais vi em mensagens pessoais no Messenger eram frases demonstrando pena dessas vítimas das forças da natureza.

Ontem, parei a refletir sobre isso, seria pena o sentimento mais necessário neste momento? Acredito que não, não devemos sentir pena, devemos ter compaixão, são seres humanos como nós, que trabalharam arduamente para construir suas vidas, consumidas em instantes pela torrente que não difere burgueses de proletários, todos foram atingidos

A tragédia aconteceu, agora perguntemos-nos....Por quê?

Não seria culpa nossa essa catástrofe? Não reciclamos, fazemos uso de combustíveis fósseis em nossos automóveis, fazemos culto á carne vermelha no churrasco de final de semana, estimulando a derrubada de árvores para a implantação de pastagens, usamos sacolas plásticas descartáveis, trocamos de celular todo ano, fazemos pilha e pilhas de cópias de material de estudo que terão como único destino o lixão e como única finalidade enriquecer empresas de celulose que semeiam o deserto verde dos eucaliptos pelo mundo. A sociedade de consumo fabrica coisas feitas para não durarem.

Essa situação climática é nossa filha, e como uma Suzane Von Richtoffen, volta-se contra nós.

Ou mudamos radicalmente nossos hábitos de consumo, ou apagamos definitivamente a palavra “pena” de nossos dicionários.

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