domingo, 24 de janeiro de 2010

(in)SEGURANÇA PÚBLICA


“Menos assaltos e mais ladrões na cadeia”, anuncia a notícia do Jornal Gazeta do Sul, edição de 23 e 24 de Janeiro de 2010.

A cúpula da Brigada Militar na região comemora o aumento no número de prisões em, 37% em relação ao ano anterior.

Mas afinal de contas, o que a força policial do Estado tem tanto a comemorar?

A prisão de pessoas condenadas por furtos e posse de substâncias ilícitas, imaginamos automaticamente.

Mas e onde vão pôr todas essas pessoas? Basta escondê-las dos olhos dos chamados ‘cidadãos de bem’ para que tudo esteja normal? (atente para o quão maligna é esta expressão, note que todos que estão presos um dia também foram considerados cidadãos de bem, assim como você o é).

CONDENA-SE O CRIME E A DROGA, MAS CULTUA-SE O SISTEMA SOCIAL QUE OS ESTIMULAM.

A desigualdade social não é crime aos olhos dos governos, é apenas um leve efeito colateral da livre concorrência que rege nossas vidas.

Deveriam envergonhar-se de divulgar tal noticia como se fosse algo positivo. Deveriam é estar se perguntando se a melhor maneira de combater a violência é simplesmente abarrotar celas de prisões para depois apresentar vergonhosos números como uma vitória da sociedade.

Como se para um ser humano o fato de estar detido nesses presídios que fariam o Inferno de Dante parecer a Disney servisse para transformá-lo num ‘cidadão de bem’ (a maldita expressão novamente).

Como disse Eduardo Galeano:

“Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que contribui com os mortos”.

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