domingo, 12 de dezembro de 2010

perdas e ganhos

porque estar junto também faz bem
mas o "evoluir, aprender a se amar"
isso não tem preço
e com algumas pessoas só aprendemos depois que as perdemos"


"Te perdendo eu cresci tanto que não sei se eu quero mais te encontrar"

Dois pensamentos descaradamente roubados. Surgidos assim do nada, materializados bem em frente à meus olhos que me fizeram pensar em minha própria vida.
Conflito de idéias, arena de touros que briga dentro de cada um, contariedade de sentimentos e desejos que não são.
Mosaico de memórias, gente que conheci, amores que tive que engrandeceram a alma.
Não trago remorsos, tudo que foi, seja bom ou ruim foram aprendizados para mim.
Pena que o custo de certos ganhos é exatamente perder.

domingo, 3 de outubro de 2010

Tempo de Medo


Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.

Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.

Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.

Os motoristas têm medo de caminhar e os pedestres tem medo de serem atropelados.

A democracia tem medo de lembrar e a linguagem tem medo de dizer.

Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas tem medo da falta de guerras.

É o tempo do medo

Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.

Medo dos ladrões, medo da policia.

Medo da porta sem fechaduras, do tempo sem relógios, das crianças sem televisão, medo da noite sem comprimidos para dormir, e medo do dia sem comprimidos para despertar.

Medo da multidão, medo da solidão, medo do que fui e do que posso ser, medo de morrer, medo de viver


(palavras descaradamente roubadas de Eduardo Galeano, mestre em retratar essa hedionda coisa que chamamos de mundo)


sábado, 18 de setembro de 2010

Rodo Cotidiano


Rotina, cotidiano....eis algumas palavras que conseguem me provocar o mais profundo asco.

Sempre ouço comentários sobre rotina de vida...que fulano está procurando se estabilizar e talicoisa. A bem da verdade deveriam fazer uso da palavra “acomodar” em vez de estabilizar.

Já passei por fases de minha vida sobre as quais tento resgatar alguma memória que se destaque e me dou conta da dificuldade imposta. Todos aqueles dias parecem iguais, formatados, pasteurizados e insípidos.

Não procuro fugir disso, apenas vou vivendo, sem buscar cegamente essa acomodação que a todos simboliza a paz eterna. Recentemente tive algumas semanas que posso classificar como extremamente atípicas. E são essas semanas, esses dias, essas coisas que te arrancam do eixo que constroem verdadeiramente. Que moldam quem você é, porque são essas coisas que te marcam de verdade. Que sejam tristes, sejam alegres, ou apenas estranhas....

"Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é."

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tempos de paz...


"Ai de mim. Ai, pobre de mim! Aqui estou, para entender que crime cometi contra Vós. Mas, se nasci, eu já entendo o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor, porque o crime maior do homem é ter nascido.
Para apurar meus cuidados só queria saber que outros crimes cometi contra Vós além do crime de nascer.
Não nasceram outros também? Pois, se outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei? Nasce uma ave e, embelezada por seus ricos enfeites não passa de flor de plumas, ramalhete alado quando veloz cortando salões aéreos, recusa piedade ao ninho que abandona em paz.
E eu, tendo mais instinto tenho menos liberdade?
Nasce uma fera e, com a pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas. Logo, atrevida e feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade, monstro de seu labirinto. E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, aborto de ovas e lodo e, feito um barco de escamas sobre as ondas, ele gira, gira por toda parte, exibindo a imensa habilidade que lhe dá um coração frio; e eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente e de repente, entre flores se esconde onde músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto à sua fuga. E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim... Assim chegando a esta paixão, um vulcão qual o Etna quisera arrancar do peito pedaços do coração. Que lei, justiça ou razão pôde recusar aos homens privilégio tão suave, exceção tão única que deu a um cristal, a um peixe, a uma fera e a uma ave?

domingo, 30 de maio de 2010

Noites de sábado



Sábado, á noite, e sozinho. E como se não bastasse, para completar o quadro que mais parece um circulo infernal Dantesco...chuva e frio.

Não tenho a mínima intenção de sair, fazer festa ou ver alguém. A bem da verdade até que gostaria de ver alguém, mas pelo que notei há pouco, esse alguém não tem muito interesse em me ver.

Bom, vou me dirigindo á minha casa, fazer nada, a saída que me sobra. Não moro longe, mas uma torrente de água resolve despencar exatamente nesse trajeto que faço.... Me refugio na primeira marquise que acho no meio do caminho. A chuva resolve ficar ainda mais forte, daquelas que te deixa encharcado até a cintura, no mínimo.

Não tenho pressa, não tenho hora marcada com ninguém, e tampouco ninguém a minha espera. Fico ali olhando a chuva cair e os carros passarem apressados.

Na falta do que fazer puxo um cigarro(ainda morro disso), amassado de tal modo que tenho a impressão de que sentei em cima da carteira, e fico ali fumando enquanto os carros passam , as pessoas passam...e eu ali parado.

Provavelmente não me notam, tanto pela pouca luz no local onde me encontro quanto pela pressa que têm de chegar a algum lugar.

Li certa vez (não recordo onde) que nós só existimos enquanto alguém se lembrar de nós.

Ali debaixo da marquise, como um mendigo qualquer fundido ao concreto e isolado do tempo que rege como um maestro chapado nosso dia-a-dia, eu senti que havia deixado de existir.

Nós só existimos enquanto alguém se lembrar de nós. Era inevitável ficar repetindo a mim mesmo a frase, e ficar rindo dela tal como um louco.

Só não sabia se ria da graça ou da tristeza da coisa toda.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um retrato meu, seu, de todos.....


Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial.

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.

Augusto Branco....:)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Diagnóstico:



Insanidade. Duvida? Então é melhor pensar bem na sua vida.

Por que se você não está louco para comprar aquele carro novo que na propaganda anuncia a felicidade eterna, sua pessoa só pode ter perdido a razão.

Não tem um desejo incontrolável de ir à festa que irá inaugurar, onde estará presente toda a nata da sociedade? Caso grave o seu...

Flagro-me pensando em como a felicidade passou a ser um bem de consumo coletivo. É preciso não apenas ter, mas mostrar á todos o que se tem. Consome-se para si e para os outros ao mesmo tempo.

Dou-me conta de que não faço parte deste mundo. Pelo menos não deste onde as únicas leis vigentes de convivência afirmam que é preciso ter e compulsoriamente mostrar para ser reconhecido como alguém.

O prazer de estar com as pessoas que nos fazem bem passa a ser pouco ou nada valorizado nesse mundinho fétido de aparências. Somos casca. Invólucro. Nada mais que isso perante os outros.

Consumir para mostrar, o que é mostrado deve ser consumido. Um universo onde a felicidade se esconde na tarja magnética de um cartão de crédito de material plástico.

Não acha isso maravilhoso? Você não é desse planeta.....ou está louco também...

sexta-feira, 12 de março de 2010

EXIJAMOS O IMPOSSÍVEL( aos que ainda sabem sonhar)


A utopia é considerada impossível.
''Sejamos realistas, exijamos o impossível'', uma afirmação de maio de 68 na qual exigia-se o que se sabe que não será dado, para obter o que se sabia que deveria entregar-se.
Impossível e esperança integram a mesma equação.
Construimos o impossivel só para superá-lo e criar um novo paradigma. Nos vendemos uma felicidade inalcansável, que esgotou o estoque antes de ser anunciada a oferta.
O impossível não é o proibido, é o irrealizável. Quase todos dicionários nos açoitam , possivel=real, impossível=imaginário. O que é o real? A imaginação é real e ás vezes só na ficção aparece a verdade.
Extinguamos um clichê, amor não é impossível, é possibilitador. Com e por amor fazemos o que não se pode.
Se pode-se sonhar, pode-se fazer...
(Ideafixa)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

RELATOS



Enquanto errante cruzava as flamas do Inferno, deliciando-me com as volúpias do Gênio, que aos anjos transfigurava-se como Tormento e Loucura, recolhi alguns dos seus provérbios, considerando que, assim como as máximas de um povo exprimem o seu verdadeiro caráter, então os Provérbios do Inferno indicariam decerto a sabedoria dos Vértices Abissais melhor do que qualquer outra descrição de Edifícios e Vestimentas.


Ao voltar á tona, sobre o abismo dos cinco sentidos onde um precipício de escorregadias escarpas franze suas sobrancelhas a este mundo atual vislumbrei um poderoso demônio em negras nuvens envolto pairando sobre os flancos dos penhascos, e com fogos corrosivos gravava a seguinte frase agora captada pelas mentes dos homens e por eles á Terra revelada

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

UNIVERSOS PARALELOS



O mundo é um só, e sendo somente um , apresenta-se a nós sob sua única face...uma?
Não raramente me ponho a pensar em como as pessoas vêem o mundo que as cerca.
Que retrato têm desse seu habitat?
A minha visão reparte-se em duas...Diametralmente inversas.
Uma, do universo das letras, da música e dos sentimentos. Um mundo onde ainda há boa música, bons livros e pessoas que não são superficiais umas em relação ás outras.
Onde através de idéias, vontades e palavras pode-se geminar uma revolução nesse nosso modo de vida.
Mas também há o outro...cinza e frio, onde não existe o próximo, onde somos indiferentes á fome e á miséria de nossos semelhantes.
Onde desfilamos perus de natal ou chocolates de páscoa em sacolas abarrotadas em frente á crianças descendentes de indigenas que não tem nada para comer (e que um dia viveram em paz nestas terras).
Onde o dinheiro dita o quão feliz você pode ser. Se não tiver um belo carro e status social, você nada significa. A sarjeta é o único lugar onde terá seu espaço.
Dois universos que andam lado a lado, em conflito e paz ao mesmo tempo.
Não os compreendo....mas tento mudá-los á minha maneira...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

E o carnaval....


Puta merda!!!

Me desculpe pelo palavreado..mas não consegui pensar em nada cortês para expressar a minha indignação com essa festa ‘’popular’’ que é o carnaval.

Todo ano repete-se a velha fórmula, matéria nos jornais dizendo quais são as musas de cada escola....o trabalho nos barracões....sub-celebridades que nada têm de célebres nos camarotes de alguma marca de bebida declarando que ‘’é uma grande alegria estar representando...’’. Um festival de cirurgias plásticas grotescas apresentadas da forma mais vulgar possivel...

Esse é o carnaval, festa nacional da qual tanto nos orgulhamos.

As capas do jornais não cedem espaço á outra matéria senão o carnaval...os programas televisivos também não. A desculpa é a mesma, e de tão gasta já causa repulsa.

“ O povo que ralou durante o ano todo, vem para a avenida explodir em alegria!!’’

Carnaval de salão nem se fala....uma multidão nonsense requebrando ao som do funk da moda e dizendo que aquilo é o carnaval.....já sei porque pierrôs tem uma expressão triste...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais Memória

Hoje estava olhando uma foto, a foto ai ao lado no caso.

Ela foi tirada em dezembro de 2003, ou teria sido novembro? Bom , lá se vão sete anos, não é muito, mas se listarmos tudo que fizemos e que nos ocorreu desde então com certeza parecerá.

Não, não vai ter como listar tudo, muita coisa só a memória guarda, o papel não aceitará jamais. Palavras escritas são só retalhos de lembrançase nada mais, a memória compõe-se de uma matéria muito mais volátil, inalcançável pelos dominíos da linguagem escrita.

Pessoas que conheci, lugares que visitei, outros tantos nos quais morei. Eterno espirito itinerante, seja por vontade ou necessidade.

Do material pouco ou nada levei, como já disse Galeano, o material não me prende, ele não decide nada sobre mim.

O que mais me agrada lembrar não são os lugares, e sim as pessoas. Elas que enriquecem a memória, alegram a vida, nos dão vontade de continuar vivendo.

Umas quantas me marcaram, dessas tantas a maioria nunca mais vi, mas me lembro como se tivesse conversado com elas ontem. Outras convivi , mas andam desaparecidas, como se tivessem sido consumidas pelo nada.

Hão ainda as que conheci quase sem querer, redemoinhos de coincidências...

Curioso é que não sei concluir este texto... cada dia dessa vida itinerante soma algo a mais nessa história. Cada palavra que ouço, paisagem que vejo, pessoa que conheço...tudo isso são palavras que um dia não saberei como escrever.


".Ver o mundo num grão de areia. E um Céu numa Flor silvestre, Ter o Infinito na palma da sua mão E a Eternidade numa hora. ..."Rubem Alves